Bem-estar digital nas escolas: o que é, importância e como adotar

alunos usando celulares em atividade educativa, bem estar digital nas escolas

A tecnologia e os dispositivos digitais impactam diversas camadas da sociedade e estão presentes em praticamente todos os aspectos da nossa vida, inclusive no dia a dia de estudantes. Um exemplo significativo desse cenário é a proibição do uso de celular nas escolas do Brasil, que foi implementada no início de 2025 e já traz impactos no cotidiano escolar.

Ela propicia inúmeros benefícios, mas, junto deles, nos deparamos com desafios que devem ser superados. Inclusive, com preocupações sobre saúde mental e o bem-estar dos alunos.

Que tal refletirmos sobre esse tema? Continue a leitura e conheça o conceito de bem-estar digital nas escolas, sua importância, e dicas de como implementar na sua instituição. Além disso, entenda os impactos da proibição do uso de celular em escolas brasileiras.

O que é?

O termo “bem-estar digital” vem do inglês “digital wellbeing”. Ele aborda o uso equilibrado da tecnologia, promovendo a saúde mental, emocional e física, enquanto evita o uso excessivo de dispositivos digitais.

Criado em 2012 por Tristan Harris, um ex-gerente de produtos da Google, o conceito surgiu de sua preocupação com as distrações tecnológicas em sua vida.

Naquela época, Harris escreveu um memorando que se tornou um marco no debate sobre a atenção do usuário e os efeitos da tecnologia, causando transformações importantes na empresa onde ele atuava, e em diversas outras.

Hoje, essa preocupação se estende além das companhias de tecnologia, sendo fundamental em nossa sociedade, especialmente nas escolas.

Qual a relação entre tecnologia e saúde mental?

A relação entre tecnologia e saúde mental é complexa e apresenta tanto aspectos positivos quanto negativos.

É claro que temos benefícios: as ferramentas digitais oferecem acesso a informações e recursos de saúde mental e facilitam conexões interpessoais.

Por outro lado, o uso inadequado ou excessivo pode levar a problemas como ansiedade, insônia e depressão, especialmente entre os jovens. 

Como exemplos dessa dualidade, temos os resultados do relatório “O bem-estar das crianças em um mundo digital” feito pela organização Internet Matters em 2024. O estudo revelou que:

  • 65% das crianças entrevistadas relatam que passar tempo online as faz mais felizes;
  • 67% delas também afirmaram ter sofrido algum tipo de dano no ambiente digital.

Isso destaca a necessidade de uma abordagem equilibrada em relação à tecnologia para maximizar seus benefícios, e minimizar os impactos negativos. Isso é válido na vida profissional, pessoal, e também na educação.

A adoção da tecnologia na educação

É inegável que, se utilizada de maneira saudável, a tecnologia é uma aliada poderosa na educação.

Ela possibilita o acesso a conteúdos inovadores, personalização do ensino e conexão entre alunos e professores. Além disso, a tecnologia pode facilitar a inclusão de estudantes, oferecendo recursos adaptados às especificidades e necessidades de cada aluno, incluindo aqueles com deficiência.

No entanto, sua adoção deve ser acompanhada por práticas que priorizem o bem-estar digital nas escolas, abrangendo todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

Quais os malefícios e desafios a serem superados?

O uso inadequado da tecnologia nos ambientes escolares podem levar a uma série de problemas, como:

  • Distrações em demasia;
  • Excesso de tempo de tela;
  • Exposição a conteúdos inadequados;
  • Cyberbullying, entre outros.

Além disso, a capacitação dos educadores também se mostra um desafio.

Eles são fundamentais para integrar a tecnologia de maneira equilibrada dentro da sala de aula, mas muitos ainda podem se sentir despreparados para lidar com ferramentas digitais, ou com as consequências do uso exagerado de dispositivos.

Proibição de celulares nas escolas brasileiras

A Lei nº 15.100/2025, em vigor desde fevereiro de 2025, trouxe a proibição de celulares nas escolas brasileiras, com o objetivo de fortalecer a concentração e o desempenho dos estudantes. De acordo com uma pesquisa (saiba mais abaixo), essa medida tem contribuído diretamente para o bem-estar digital nas escolas, ajudando a reduzir distrações e criando um ambiente mais propício ao aprendizado.

De acordo com o Ministério da Educação, os aparelhos só podem ser usados em atividades pedagógicas previamente autorizadas pelos professores. Assim, a tecnologia se mantém como aliada no processo de ensino, mas de forma orientada e equilibrada, evitando o uso excessivo durante o período escolar e priorizando a interação entre alunos e educadores.

A restrição também se conecta a políticas de promoção da saúde mental de crianças e adolescentes, já que o uso excessivo de telas está associado a problemas de atenção, ansiedade e dificuldades de socialização. Dessa forma, a proibição de celulares nas escolas não significa afastar os jovens da tecnologia, mas sim promover um uso consciente, alinhado ao desenvolvimento integral dos estudantes.

O assunto reflete a complexidade de integrar a tecnologia na educação e como equilibrar seus benefícios e desafios em contextos escolares.

Experiência no Rio de Janeiro reflete avanços positivos no aprendizado

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, revela que a proibição de celulares nas escolas municipais – em vigor na região desde o início de 2024 – trouxe melhorias nos resultados de aprendizagem: houve um aumento médio de 25,7% em Matemática e 13,5% em Língua Portuguesa, índices equivalentes a um bimestre adicional.

A pesquisa, coordenada pelo professor Guilherme Lichand, ouviu 919 diretores de escolas de ensino fundamental, representando cerca de 90% das unidades da rede municipal. A metodologia adotada permitiu isolar o impacto específico da restrição, confirmando uma correlação clara entre a política de proibição e o desempenho acadêmico.

Esses resultados reforçam a importância de políticas que promovam o bem-estar digital nas escolas, ao reduzir distrações e incentivar a concentração. Vale ressaltar que a experiência carioca serviu de base para a aprovação da Lei nº 15.100/2025, que estendeu a proibição aos colégios em todo o Brasil.

Agora, vamos entender possíveis formas de implementar o bem-estar digital nas instituições.

Como implementar práticas de bem-estar digital nas escolas?

Para além do debate sobre proibir ou permitir o uso de eletrônicos, para fomentar o bem-estar digital no ambiente escolar, algumas práticas podem ser adotadas. O objetivo é trazer benefícios para estudantes, professores e para o processo de aprendizagem como um todo.

Veja alguns exemplos de medidas que podem ser tomadas:

1. Educação digital consciente

Ensinar os alunos sobre o uso responsável da tecnologia é essencial. Isso inclui discutir os efeitos negativos do uso excessivo e a importância da privacidade online.

Além disso, incentivar o autocuidado e o uso crítico da tecnologia são partes essenciais desse processo.

2. Regras claras para o uso dos dispositivos

Estabelecer regras claras sobre o uso da tecnologia em sala de aula ajuda a garantir que ela seja uma ferramenta de aprendizado e não uma fonte de distração.

Essas regras devem ser discutidas de forma colaborativa com os alunos, envolvendo-os no processo de criação e implementação.

3. Pausas planejadas e atividades offline

Incorporar intervalos regulares durante o dia escolar permite que os alunos se desconectem das telas e participem de atividades físicas ou relaxantes.

Alguns exemplos de atividades que podem ser incorporadas são:

  • Atividades físicas como a prática de esportes;
  • Jogos ao ar livre;
  • Meditações;
  • Leitura de livros físicos;
  • Atividades musicais.

Recomendamos dar preferência para atividades que incentivem a interação social e o desenvolvimento de inteligência emocional entre os alunos.

4. Capacitação de professores e pais

Capacitar educadores para reconhecer sinais de problemas relacionados ao uso excessivo da tecnologia é crucial.

Isso inclui reconhecer sintomas de dependência digital, como isolamento social, ansiedade e dificuldades de concentração.

Além disso, conscientizar os pais sobre seu papel no controle do tempo de tela dos filhos também é muito importante. Afinal, eles desempenham o papel crucial no monitoramento e segurança dos filhos.

E é com a colaboração entre escola e família que é possível criar um ambiente mais seguro e saudável para o desenvolvimento digital dos alunos.

5. Monitoramento e suporte psicológico

É muito importante que as escolas ofereçam apoio psicológico para ajudar os alunos com questões relacionadas à saúde mental, relacionadas ou não com tecnologia.

Além disso, programas de conscientização podem incentivar os estudantes a buscar ajuda quando necessário.

Qual a importância do bem-estar digital nas escolas?

Como podemos perceber, o bem-estar digital nas escolas deve ir além da estratégia de controle do uso de dispositivos tecnológicos.

Afinal, esse conceito e prática contempla um aspecto essencial do desenvolvimento dos alunos.

Ao promover um equilíbrio digital, as escolas ajudam os estudantes a entender como a tecnologia afeta suas vidas diárias, seu desempenho escolar, e suas relações interpessoais.

Nesse sentido, ao implementar práticas de bem-estar digital, as instituições educacionais oferecem aos alunos as ferramentas necessárias para navegar os terrenos dos mundos real e digital de maneira saudável e responsável e crítica.

Para saber mais sobre como a tecnologia pode beneficiar o bem-estar dos alunos e criar um ambiente escolar inclusivo, confira também nosso guia sobre diversidade e inclusão na escola!

Foto do post: Divulgação/Tomaz Costa/Agência Brasil

Authors

  • Beatriz Kalil Othero

    Jornalista formada pela UFMG, se interessa por temas como educação, ciência, tecnologia, e sociedade. Participou de reportagens premiadas pelo Sebrae em 2023, pela CDL/BH em 2021 e 2022, e pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil em 2020.

  • Isadora Ferreira

    Mineira, jornalista e analista de conteúdo com 6+ anos de experiência em Educação, Tecnologia e Finanças. Apaixonada por criar histórias que conectam. Amante de literatura e idiomas, sempre buscando novas descobertas e conexões.

Compartilhe